Feche os olhos e abra a mente...

Feche os olhos e abra a mente...
...porque a realidade, nada mais é que a alucinação causada pela falta do Blogumelo

domingo, 5 de dezembro de 2010

"A Balada do Anjo Caído"

Deixe-me lhe dizer que existe um lugar bom longe daqui. Lá,sua alma jamais pesará mais do que seu corpo. E seu corpo pesará não mais do que como uma pluma. Nós não precisamos sangrar para saber que estamos vivos. A água corre de um lado a outro de tudo que você possa ver, e ela não queima você por dentro e nem se mistura com o sangue que cobre o nosso mundo, essa realidade tão obscura e diferente desse lugar ideal. Ao norte de lugar algum, entre os campos e as planícies, eu lhe digo, filho, essa terra existe. A colheita é farta. Os homens são irmãos, não guerreiam uns com os outros. Os pais não batizam seus filhos com sangue e fogo, os batizam com amor e zelo. Homens e mulheres se amam em igual medida. Estive lá durante muito tempo, sentado debaixo de um imenso cipreste, dedilhando minha guitarra e fazendo minhas palavras ecoarem para longe, para muito longe, tentando fazer com que o povo de fora soubesse que existe um lugar bom longe daqui. Como um bardo. Como um menestrel. Trovando. Mas não houve êxito. Já não sei quanto tempo faz que eu saí do meu refúgio. Semanas, meses, talvez até anos, filho, eu realmente não sei. Estive vagando durante muito tempo, estive procurando, procurando por algo que nunca soube bem o que era, mas sempre segui por algum lugar em busca de algo, pois inconscientemente eu sabia que era isso que eu precisava fazer. Caminhar. E para bem longe. O violão que decidi carregar em minha viagem pesava suavemente em minhas costas, era um alento para minha jornada sem identidade. Toquei gaita por todo o caminho, o sonoro chiado me levava a pensar no lugar que abandonei, em toda a perfeição de uma realidade sem dor, morte ou guerra. O som da gaita era meu unico companheiro em um jornada infindável, atravessando um caminho que parecia não ter mais fim. E não era dos podres da humanidade que eu fugia, mas sim de um lugar pleno de virtudes. E tudo que fiz, fiz por instinto, nada mais. Depois de muito andar, cerca de quatro ou cinco dias de viagem através de mata cerrada e solo irregular, cansaço, fome e sede me engoliram como um buraco engole um viajante incauto. Eu estava perdido, não sabia para onde ir, e descobri isso tarde demais. Me senti definhando. Perecendo. Vítima de uma falha imensurável: sair do Paraiso. Ou eu era muito tolo, ou aquela misteriosa necessidade presente no meu subconsciente era muito ferrenha, isso eu nunca soube. Pelo menos não até agora. Naquele momento, desfaleci, perdi todas minhas forças. Cai e me tornei apenas um corpo fraco atirado ao chão, sujo e ferido, sem vontade ou opção. O violão caiu de minhas costas e foi atirado ao meu lado, como um velho companheiro de guerra, exausto e ferido. Ali, com a mente confusa e desesperada, me pus a me recostar em uma árvore que avistei por perto e peguei o violão em meu colo. Dedilhei, lancei alguns sons desajeitados aos céus, tentava achar o tom certo. Mais parecia um ferreiro grosseiro afiando uma espada do que um violeiro tocando uma música. Era o retrato perfeito de uma decadência desnecessária, produzida por uma vontade inconsequente e misteriosa. Eu chorei. Algumas lágrimas, primeiro esparsas e indecisas, depois incontroláveis, precipitaram-se contra o violão. Eu chorava enquanto tocava. Em desespero, fui afiando meu tocar, fui achando um tom que se adequasse ao meu estado de espírito, desesperado e carente de ajuda. Meu choro lânguido entrava em compasso com a sonoridade do violão. Um duplo lamento de música e dor. Eu havia fugido do Éden, e estava pagando um preço que poderia ser alto demais. Enquanto dedilhava e pranteava, pude ouvir alguns passos, passos aparentemente decididos. Alguem vinha em direção a mim, e eu nada via, com a cabeça baixa e o olhar focado no violão me afastando da linha de visão de quem quer que fosse. Olhei para cima, e encontrei quem havia chegado até mim. E meus olhos se encontraram com os dele. E eu senti algo que nunca havia sentido até então: medo. Uma incontrolável e apavorante sensação de pavor, mas um pavor interno, em minha alma, um pavor que em momento algum transpareceu em meu rosto ou em meus gestos. E ali, caido ao pé de uma árvore e exausto pela até então curta jornada, eu descobri que o meu verdadeiro caminho está apenas começando. Daquela pessoa que encontrei, não lembro de nada mais do que os apavorantes e indecifráveis olhos. Mas soube que era quem eu estava procurando. E agora aqui estou, filho. Você me escutou até agora. Fixou sua atenção nas minhas palavras e no violão que eu toco, teve paciência e aturou esse velho viajante. E sou muito grato a isso, você pode realmente acreditar nisso. Mas agora, precisamos partir, devemos seguir até o lugar onde um velho e cansado corpo repousa...Você tem uma jornada para fazer, e eu tenho um pagamento a fazer. Pela minha alma.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ei vida, apresente-se. Mostre-me sua face, mostre-me que você se importa com alguém que vive aprisionado em um corpo há anos, tentando de algum modo sentir-se feliz, sentir-se curado de uma doença incurável, mostre-me o doce pesar da sua arrogância, eu lhe imploro.

Talvez isso possa parecer errado, possa parecer ingratidão... Talvez esse seja o Eu que se cansou de lutar por ideais que não são meus. Luto por ideais de terceiros, quartos e quintos...

Não, isso não é um desespero narrado por um louco, nem eu sei do que se trata, pode ser apenas um chamado, de alguém que espera ansioso por um retorno, um retorno que nunca virá, não enquanto eu continuar a chamar tal coisa.

Pode parecer estranho, mas é assim que funciona, é necessário apenas entender, é necessário justamente parar de chamar a vida e ir buscá-la, nem que tenha que ser a força, aliás, talvez ela só apareça a força.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Playlist Do Dia 29/11/10, por Lucas Xitaum



Falaew poucos e bons seguidores do Blogumelo e os Blogodélicos

é com muita honra (e suor x_x') que anuncio a inauguração do PLAYLIST DO DIA, que será sempre uma playlist de 10 músicas escolhidas por mim 'Lucas Xitaum', algumas vezes a lista poderá até ter tematica ... mas se a criatividade de fazer tematicas for acabando ai fica sem tematica msm xD





bem ... sobre a Playlist de Hoje... tais musicas escolhidas são básicos e clássicos ... classicos da decada de 60 e inicio de 70 de artistas que lutavam a favor da paz mundial e contra o desarmamento nuclear, coisas da época... podemos dizer, musicas que dizem basicamente paz e amor, tudo oque sempre presisamos no mundo.  Tema que eu poderia chamar de playlist Hippie :P


nada melhor pra combinar com nosso Blog, e se ainda não conhecem alguma dessas musicas, vale a pena conferir até o fim, eu aprovo, selo de qualidade Xitaum :D  hehehe



obs: as músicas das 'Playlists do Dia' nunca virão em ordem de melhor ou pior de acordo com a numeração

logo estarei postando + coisas

até o/

domingo, 28 de novembro de 2010

"Meu corpo sente o tempo devorando as horas, engolindo os minutos, dissolvendo cada segundo. Meu corpo abala-se ferozmente por cada dia que se esvai entre as areias do tempo. Até mesmo nisso sou diferente: para os outros de minha "linhagem", o tempo é uma fonte inesgotável de conhecimento, experiência e poder. Para mim, nada mais é do que o ingrato reflexo de minha própria decadência. Ah, a triste e deliciosa ironia da vida. E da morte. Uma parte de benção, duas de maldição. Sim, é verdade que carrego sobre meus ombros uma dádiva, o santo peso da missão de purgar todo o mal. Nada poderia alegrar mais esse humilde cruzado do que ser tocado por Ele. Posso ouvir as trombetas tocarem por mim, posso ouvir os brados arrependidos dos cruéis, depravados e pecadores às portas do Inferno. Eu ouço o Chamado cada vez que um corpo tomba, cada vez que sangue inocente pinta cruelmente o solo, cada vez que um irmão ou irmã cai em agonia. E é o Chamado que mantem trilhando fielmente o caminho. Entretanto, existe o inconveniente preço a se pagar pelo sacro poder: nada mais é como na época em que eu era um mero Impuro. Os sabores, as sensações, os sentimentos, tudo diferente. Não posso mais sentir meu coração bater freneticamente durante cada combate contra um inimigo, como na época na qual eu ainda vivenciava minha frívola humanidade. Agora, ele se comporta mais como uma massa esponjosa e pútrida, retorcida e virulenta, pulsando languidamente e debatendo-se em agonia. Já não experimento mais as coisas como um Impuro. O meu corpo sente apenas o frio, mortal e penetrante. Meus olhos vêem apenas morte e decadência amplificadas voluptuosamente. Meus ouvidos são apurados, dotados de capacidade quase animalesca, como os de uma fera mortalmente selvagem e incontrolável. Meu faro é preciso, localiza o meu inimigo com muito mais facilidade. São dons preciosos, concedidos gentilmente por Ele para a realização de minha santa missão. Mas não posso "ligá-los" e "desligá-los", como um interruptor, ou "apagá-los", como a chama de uma vela. Não há mais sono para mim, apenas o breve e frugaz repouso entre uma e outra batalha. E minha sina não termina aí. Ah, a cruel ironia divina. Para Ele, não basta que eu termine minha missão, mas que a termine rapidamente, o mais rapidamente possível. Ele tem pressa, seus planos misteriosos têm carater emergencial, então ele me "imbuiu" de uma segunda parte de maldição: ao contrário dos outros, que são alheios à passagem do tempo e à decadência imposta por ele, eu estou morrendo. Teoricamente, morrendo de novo, segundo o que ouço dizerem por aí. Morrendo de verdade, perecendo, sofrendo o desgaste provocado pelo passar do tempo. Eu não tenho muito tempo, e tenho tanto a fazer... Eu sou um servo fiel D'ele, sigo ferrenhamente seus desígnios, com honra, devoção e batizado pelo sangue e pelas lágrimas da batalha. E ele parece rir de mim. Extraido de "Mortuarium", diario de Maximilian Arador, o caçador "
Minha primeira contribuição ao blogumelo =D
Inaugurando o Blog com uma "Pintura", feita em pouco menos de 1 hora.
Só pra não ficar sem conteúdo.